Terça-feira, Dezembro 08, 2009

digitei um bocado, apaguei um monte e sobrou isso

Já era tarde e a chuva caía.

O cara ali, lutando contra seus mais ferrenhos inimigos mentais, se rendia à sua própria incapacidade de entender o mundo e suas regrinhas básicas.

Que palhaçada esse pessoal. Oferecem de tudo um pouco, mas é tudo emprestado. Nada lhes pertence, de fato. Se bobear, ainda por cima é falsificado...

Num mundo onde as sensações são vendidas engarrafadas ou comprimidas, como mostrar pra alguém que há essa energia pronta para ser compartilhada e que o negócio é real?

Tudo tão sintético, plástico, mal-resolvido.

Muito prazer. Sou o cara que quer te conquistar mas que você não dá a mínima porque acha que não tá na hora de ser conquistada.

Até quando - ou onde - isso vai?

Sábado, Dezembro 05, 2009

Gira o mundo lento lépido rápido tempo que passa sem deixar rastro sentimental é o que eu já fui e ainda sou mais do que pretendia ser verdadeiro honesto justo transparente como água que cura a ressaca das longas doses da noite passada a dor sobra a vontade de falar tudo que significa o amor ainda há de ser explicado mas ninguém quer mesmo ouvir...

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

em arcos-íris

O dia começou cinzento.

A chuva que caía como lágrimas de amores perdidos, insistia em trazer diante dos meus olhos as tristes imagens de seres-humanos escravos de rotinas vampíricas.

Andando cabisbaixos ou prostrados dentro dos veículos, rumamos todos para o muro de fuzilamento diário ao qual nos submetemos.

Onde está a motivação? Onde está a razão nisso tudo?

Ah, burocracia. Tu és o espelho mágico que reflete nosso pior lado; o lado da acomodação e do despreparo para sermos o que realmente gostaríamos de ser. Tu és a esponja que absorve nossa inspiração, esse líquido vital, vomitando de volta a borra viscosa da complacência.

Um exército de zumbis, marchando para suas estações de trabalho. Ilhas cercadas de solidão por todos os lados. Cada uma retroalimentando-se do resquício de motivação que há em nós, num ciclo interminável, repetitivo, tedioso.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

mars volta

I've been part awake
Since we've been wrong
you will never, ever know me
What took you so long?
I'm not sure either way
But my heart, it asks
just one more time
Are you still a mess?

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

demais dias de menos

Muito além do que o copo meio cheio ou meio vazio, o dia é algo que se consome ou se acumula sem o nosso consentimento.

Outro dia, vi uma frase muito instigante: "Não existem as horas. Existem os relógios."

A escravidão imposta por nós mesmos como forma de otimizarmos o aproveitamento dessas malditas 24 horas dá a falsa ilusão de segurança, de responsabilidade, de que está tudo SOB CONTROLE.

Na verdade, não está.

Se dormimos mais tarde que o que estamos acostumados porque ficamos trabalhando, mas no dia seguinte temos que chegar no trabalho no mesmo horário de sempre - o que faz com que tenhamos uma noite de sono menor e, por consequência, ruim - prova que estamos sempre vivendo a partir da ótica do "um dia a menos".

E o que seria este dia a menos?

Não é render menos por causa do sono. Não é esquecer um pedido feito pelo seu chefe. Não é beber mais café que o normal para se manter no pique. O dia a menos é um efeito negativo que nos abate o psicológico e que rende frutos de insatisfação, de depressão e até mesmo de suicídio. O tempo perdido, ao ver que é mais tarde do que deveria ser (principalmente na hora de entregar um trabalho), não volta, e assim nos vemos impotentes, incapazes, velhos, privados do prazer e do lazer.

O pior é quando poucos minutos perdidos arruinam um dia inteiro, e o quanto poucos minutos de descanso não são suficientes para amenizar o sentimento alfanumérico que rege nossa rotina e controla nosso humor.

Cada vez mais somos convencidos que a felicidade e a verdade não existem. O que existe é o cumprimento de funções e que se fizermos tudo direitinho, ganhamos horas acumuladas num banco de horas fictício que nunca compensará totalmente o stress, a desmotivação e a sensação de que vivemos uma mentira partir de uma falsa ilusão de felicidade enquanto sucesso profissional.

Por outro lado, o ócio contamina a alma e devasta a auto-estima. A diminuição do ser diante dos outros que estão ocupados trabalhando é tão ou pior do que a diminuição do ser diante de um trabalho burocrático. Charles Chaplin nos fez rir disso.

Quando as luzes da sala de exibição se acendem, o que importa mesmo é o que faremos no minuto seguinte para nos sentirmos menos medíocres. E para que que o "dia a menos" se torne, no mínimo, um "dia mais ou menos".

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Bolhas

Começa a chuva.

Multiplicam-se as gotas. Multiplica-se a urgência. As pessoas correm, tentam fugir, em vão, da água que cai cada vez mais intensa.

Entram em prédios, em ônibus, em carros.

Agora estamos todos presos em nossas invenções; em nossas construções. Cercados, sufucados. Cada vez mais gente ao redor. Cade vez mais quente. Cada vez mais solitárias, as pessoas se entreolham, constrangidas diante da impotência de se fazer algo.

Mas por que há de ser feito algo? Para quê? Para quem?

A desconfortável sensação de se estar perto demais do outro estimula a mente que tenta sair dali de qualquer jeito. Mas o corpo, já cansado após um longo dia de tedioso trabalho, não vai muito além das janelas embaçadas.

Passam os minutos. As horas. Estamos todos presos em nossos mundos cinzas e barulhentos.

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

O contrário de egoísmo não é autruísmo.

Digo isto pois o autruísmo, em toda sua concessão, em todo seu doar-se ao máximo, acaba por colocar o sujeito em uma posição de entrega tão grande que ele, por muitas vezes (se não todas), acaba por negar sua própria natureza.

O autruísmo mascara o real coração do ser-humano. Somos seres movidos por sentimentos mútiplos, e cada um deles tem seu momento de legitimação quando é externado, seja qual for a forma.

A grande dúvida que surge em minha mente após essas colocações é: o que é certo? Fazer sempre o bem, ou fazer aquilo que se acredita ser o certo?

Essa, meus caros leitores, é uma pergunta que eu não sei se terei a resposta algum dia.

Principalmente porque meus atos, nem sempre são guiados pelo resultado final e sim pela satisfação que devo a mim mesmo enquanto eterno perseguidor da verdade acima de todas as outras coisas.