sexta-feira, maio 05, 2023

Ministério do poeta

 a arte já não me completa mais como antes
será que não vou mais criar?

numa folha qualquer dois riscos são como lamentos
recolhe a mão pra não mais desenhar

onde quer que chovesse lá estava eu
a emudecer cantando calmo qualquer uma que me fizesse sorrir

agora não, por favor

o teto que me protege está desabando
mas eu consigo dormir

sua beleza supera todo o mal

terça-feira, janeiro 31, 2023

epitáfio da memória

é hora de escolher
dentre tudo que me destruiu
o que me fez maior
mas que de nada serviu
aquele dia sem sono
quando a chuva caiu
excluído da glória
condenado doentio

a sobrevida amarga
num convite triste
o dedo em riste entrega
a frieza que existe
sem saber se celebra
ou abdica da vitória
mais um dia vivivo
epitáfio da memória

terça-feira, junho 07, 2022

Silêncio dos inocentes

Todas as vezes que errei.

Por me calar.

Por não agir.

Por me deixar cegar pela incredulidade do momento e, por isso, perder a capacidade de raciocinar linearmente, coerentemente.

Eu conheço a violência que existe em mim. A irracionalidade animalesca que acorda nos momentos em que sou injustiçado dentro da minha própria casa.

Minhas coisas são tratadas como lixo, como inutilidade.

Lixo mesmo é a caixa de leite, o saco de supermercado, a lata de molho, o pacote de arroz, o canudo plástico, o papel toalha usado... deixados em qualquer lugar, para que quem jogue fora? Eu.

Há na sala um par de botas. Estão lá fazem uns 3 meses. Tem um teclado em cima de seu suporte também. Este faz mais tempo. Desde abril ou maio de 2020.

Ninguém mais se reúne à mesa. Sempre cheia de papel, coisa de escritório, farelo de biscoito.

Meu quarto mal tem espaço pra transitar. Minhas outras coisas ficam lá em cima e não atrapalham a vida de ninguém.

Mas o problema sou eu.

Será mesmo que errei?

terça-feira, outubro 19, 2021

Aula de sexo e eclipse

 Na casa do Bones e da Marcela conversando sobre o Sol, e eu falei que poderiam ser trigêmeos, pois eu tinha sonhado que os outros 2 estavam escondidos atrás (um eclipse) e o ultrassom não pegava. Na varanda a gente tomava uma cervejinha e comia uns tira-gostos.

Vou dar um role pela rua e vejo uma casa conhecida, dos meus ex-sogros do primeiro namoro, e minha ex-namorada estava ensinando uma amiga em comum a transar com mulher.

Sigo caminhando até que começo a transar com minha namorada até que ela desaparece.

terça-feira, setembro 21, 2021

.

Desde que o isolamento social começou pra mim, há 550 dias, eu tenho feito o possível pra me manter mentalmente são e criativamente ativo.

Obviamente a segunda ideia eu só consegui realizar em parte, com as produções das webfestas da Obra e, lá no comecinho, os Ao Vivasso.

Só as webfestas resistiram à logística. O batidão cansa mas compensa. Através delas eu fiz novas e grandes amizades. A maioria daqui de BH, que eu tô doido pra encontrar pessoalmente. E também algumas pessoas de outras cidades e outros estados. Já teve até papo de um encontro aqui em BH quando as coisas melhorarem. E eu também tô doido pra que isso aconteça.

Infelizmente, uma dessas pessoas fez a sua passagem ontem. Não era de BH, nem de MG, mas sempre que aparecia a gente trocava boas ideias e fazia boas piadas de tiozão no chat e no inbox, sem medo de passar vergonha. Era uma presença muito positiva e que saber de sua morte me abalou.

Obrigado pela presença, Thiago. Espero que tenha se divertido.

sábado, setembro 18, 2021

Voltei 10 anos no tempo

É 2011 estou na porta da Obra conversando com o pessoal. De repente chega de taxi a Eva Wilma e Claudão e Marcelim aparecem para cumprimentá-la. Eu ainda não sou amigo deles nem trabalho pra casa, mas sei que estou no passado e os cumprimento como sempre cumprimentei. Eu entro num saco cheio de lixo e saio pulando como numa corrida de saco até que chega a SLU pra recolher.  Vou embora.

terça-feira, agosto 17, 2021

Sonho lúcido 17

Sou baterista do Garbage e a banda está ensaiando pra um show. A formação não tem ninguém da banda de verdade, mas é no mesmo naipe, co uma vocalista. Após o ensaio vamos de carro pro apartamento que a gente mora e a conversa é de que a banda vai acabar e todo mundo se aposentar. Alinhamos então numa parede e fazemos a últimas fotos juntos. Sou o segundo da esquerda pra direita. Abraço a vocalista forte e depois puxo também um dos caras e a gente se despede.

terça-feira, junho 29, 2021

Sonho Lúcido 16

Entro numa montanha russa que simula a velocidade da conexão de internet da provedora, que é dona do parque temático. Durante o passeio, informações sobre a tecnologia empregada eram faladas por auto-falantes. A estrutura do carro é bem aberta, parecendo um caiaque. A velocidade é absurda e o trilho, que se parece com um canudo, não é único, tendo ramificações que podem ser usadas no trajeto.

Sonho Lúcido 15

Um casal de amigos sofre um acidente na estrada. Capotam o carro. Com eles está tudo bem, mas nos convidam a ir ver o local do acidente. É a rodovia da morte, no trecho cheio de curvas que jogam os carros pra fora. Estamos a pé, subindo a rodovia, uma uma trilha de sangue nos guia a um corpo estirado no asfalto. Seguimos andando e chegamos num vilarejo que contorna um campo de futebol de terra. Os moradores estão no campo, meio festa junina e um cara com uma vara de salto com vara fica dando saltos, porem sem a barra. Entro em um dos imóveis, que se parece com um banho público e pub, com vários escaninhos. Uma recepcionista me apresenta o espaço e uma grande banheira de porcelana com uma mesa moldada do lado de fora onde as pessoas são atendidas.

quinta-feira, março 18, 2021

Pesadelo 01

Moro (ou estou hospedado) num apartamento onde também moram uma mãe e sua filha. A filha tem cabeça de humano mas corpo de gato.

A mãe lambe um salto agulha e da pra filha lamber também.

A criança nadando fica com nadadeiras de tartaruga, ainda com pelo e corpo de gato.

Vejo pelo de gato pelo chão, como se tivesse cortado, escalpelado. Olho pela janela, a criança está lá embaixo, morta.

A mãe, na sequência, com uma lâmina, se mata, degolando-se.

domingo, janeiro 10, 2021

Sonho lúcido 14

Minha família se mudou pra uma casa. É um imóvel gigante com várias construções, tipo uma vila, mas também parece uma fazenda.

Escolho meu quarto que é basicamente uma casa inteira, que fica no alto de um morrinho no terreno. Comigo está Marcela Lopes e a gente tá andando conhecendo tudo.

A princípio a casa parece muito boa, só precisando de uma limpeza mas aos poucos vou percebendo que a mudança foi feita na correria, já que tem muito problema na casa como se ninguém tivesse dando uma olhada antes. Paredes com rachaduras, alguns móveis apodrecidos. Mas uma bela casa, no geral. Estilo as art deco do lagoinha.

De repente encontro Pedro, que me pergunta que que eu to fazendo ali. Eu falo que tinha acabado de mudar e ele diz que eu to morando na casa que ele morou antes. Quanto mais partes dessa vila eu conheço, mais degradação eu percebo, a ponto de descobrir que embaixo de um dos imóveis, tipo num porão, vive um crocodilo. Em outro quarto, bem sujo e precário, mora meu tio Paulinho, mas ele não está lá.

segunda-feira, julho 20, 2020

Sonho lúdico 12

Estou numa estrada indo pra casa quando vejo o pica pau fugindo do Zeca urubu. Ele canta uma música e eu resolvo ir atrás dele. Chego numa região cheio de casas, era o condomínio da mãe da Júlia. Vejo a sala de ioga e como tá destrancada eu entro e vejo que tinha ali uma toalha minha esquecida há muito tempo. A sala tá sem luz e bem suja. Mexo em alguma coisa e começa a sair água do olho mágico da porta da casa. Dou a volta pra entrar e encontro meu sogro indo almoçar num restaurante que parece um anexo da casa. A gente se cumprimenta e eu pergunto onde fica a casa, era bem subindo uma escada. Vou por ela e percebo que a casa tá toda desnivelada, como se tivesse afundando no chão. Subo um morro e chego na sala onde tomam café minha sogra e um casal. Eu tô com o mesmo pijama que uso nesse momento. Dou um oi geral e vou pro quarto da Júlia, a porta é de correr e quando vou abrir ela tava pra sair. Ao me ver pergunta se eu tinha dormido lá e eu falo que sim, que depois que fui embora, voltei. Não sei se dormi mesmo. Acordo comigo perguntando algo em voz alta, que estava na verdade perguntando no sonho.

sexta-feira, julho 17, 2020

Sonho lúcido 11

Estou num sítio cheio de amizades, mas nenhuma que conheça na vida real. Há uma piscina que tem uma cascata que cai por uma parede de pedra. Ao redor um gramado grande com coqueiros e plantas variadas, rede, quiosque, e o dia tá lindo. A gente bebe e come salgados da Las Tortas. Todo mundo se dá bem e eu tô dando em cima de uma das mulheres. O pessoal começa a ir embora e eu, ao sair da piscina percebo que tem sangue sugas nos meus cabelos. Tento retirá-las e elas se agarram cada vez mais nos fios e também nos meus dedos.

terça-feira, julho 07, 2020

Sonho Lúcido 10

Estava na casa de alguém ali no Carlos Prates e ia ter um show do Tool em BH, num lugar que era tipo a Asmare, porém num espaço aberto em declive. Eu tava da dúvida se ia, tava numa preguiça grande, mas pensei que bom, pode ser que eles não voltem mais. Cheguei no local de carro e estacionei do lado do carro dum vendedor ambulante. Dele mesmo já comprei uma cerveja enquanto via o pessoal começar a descarregar o PA do Tool. Alguém passava o som de um bumbo quando encontrei vários conhecidos de bandas de rock da cidade. No PA começou a tocar Valsa Binária - Dessa Água, e eu cantei minha versão censurada, ganhando olhares de aprovação, reprovação e surpresa das pessoas. Acordei falando sozinho algo que não lembro.

quinta-feira, abril 30, 2020

Sonho lúcido 09

Uma avenida de mão dupla que lembra um dos caminhos relatados em sonhos anteriores. Eu recebo a notícia da morte de um amigo e não consigo falar com ninguém. Descubro que haverá uma homenagem pra ele e que seria num parque de diversões. O parque estava lotado de gente (ou seja, não havia pandemia mais, ou sei lá) e a homenagem seria numa montanha russa Porém meu amigo estava vivo na montanha russa sendo homenageado. Tentei falar com ele mas não consegui.

Acordei pensando nos demais detalhes, pra escrever. Não quis, mas tive uma conversa legal agora há pouco sobre escrever e resolvi botar aqui o que lembrei. Tinha mais alguma coisa relacionada a cocaína, mas não lembro mesmo.

terça-feira, fevereiro 04, 2020

Sonhos Lúcidos 05 a 08

05.
É a segunda vez que sonho com isso. Sigo por uma estrada, a noite e de carro. O farol não ilumina mais que um metro à frente eu não sei o caminho até que chego numa região em que eu até após acordar (ou ainda estava dormindo, não sei) não sabia se já tinha ido lá ou não, mas era uma rua no meio de um bairro ainda não muito habitado, com muito lote vago. Eu já tinha feito esse caminho e me lembrei que era por ali que eu passava pra comprar cocaína, no alto duma rua que ia estreitando cada vez mais, até chegar no topo onde ficavam os cara. Muita polícia dessa vez.


06.

Estou com unhas muito compridas, pintadas de roxo com detalhes em bege, em alto relevo. Não lembrava de ter deixado crescer e conclui que deviam ser postiças. Ficava olhando e tentando entender se eu pedi pra alguém fazer aquilo. De repente uma delas já estava curta de novo, porém ainda pintada e tudo.

07.
Estou numa casa que parece estar à beira mar. É uma casa bem grande, como uma palafita, e embaixo tem tipo uma jaula onde uma onça vive com alguns filhotes. Um deles chega perto de mim quando me aproximo da grade e a mãe fica me observando. Resolvo conhecer mais da casa. Os cômodos são cada um num andar, nunca no mesmo nível e os acessos apertados. Muita madeira e muito vidro faz a casa ser quase uma vitrine pra quem está de fora. Alguns acessos, além de apertados, são como escadas cortadas por outras escadas, fazendo o deslocamento ser bem difícil. De repente me vejo de novo no subssolo, mas, dessa vez, ao invés da onça e das oncinhas, tinha uma família de humanos, porém seus rostos estão borrados. Uma das crianças fala algo comigo mas eu, apavorado, só respondo algo tipo "foda-se" e vou embora.

08.
Estou numa casa grande e é uma  festa de família a qual pertenço, mas tem mais gente que era parente no sonho mas não é na vida real. Eu tento enturmar mas não tenho muito saco, até que eu vejo uma amiga chegar. Ela me chama e eu a sigo. Ela está como que com o cabelo molhado, diferente do cabelo dela. A gente se encontra no quarto em que ela está e conversamos por algum tempo e eu conto muita coisa guardada. Num segundo momento ela não está mais lá e lembro de parentes se despedindo indo embora da festa.


segunda-feira, julho 29, 2019

Sonho lúcido 04

Do meu nariz sai uma grande uma mistura de catarro e sangue. A meleca cai no chão. Na rua, as lojas parecem funcionar normalmente, porém as pessoas estão num estado letárgico entre o receio de serem elas mesmas e de não conseguirem deixar de ser. Isso pode ser perigoso. Vivemos já numa ditadura assumida.

Quando volto pra casa, a mistura que caiu do meu nariz meio que toma vida e desliza para debaixo da cama. Seguindo com o olhar, olho pela janela. O dia lá fora está lindo, e saio novamente para mais uma volta.

Ao chegar na rua, as casas e prédios do outro lado são idênticos ao do meu lado. Um reflexo, literalmente, mas real. Porém todas têm grades, cercas e correntes, e seus moradores, não estão na rua, mas eu sei que são também cópias de mim e de todo mundo.

sábado, março 23, 2019

Sonho lúcido 03

Eu moro em uma casa, numa ribanceira de montanha. A casa é imensa, com sei lá quantos cômodos e sempre que eu quero um cômodo novo, eu construo, parte manualmente, parte imaginado, o que faz com que se materialize.

Meu quarto é de difícil entrada. Há móveis bloqueando a passagem, que é como um corredor. Só passo de lado. Não é uma suíte. É um quarto pequeno, apertado e cheio de coisas.

Decido fazer mais uma suíte, pra visitas. Mentalizo e ali está um cômodo com jacuzi, janela panorâmica pro vale em frente, e tudo que eu acho que quem eu deixar ficar ali, merece.

Sonho lúcido 02

Seguia para pegar o viaduto Santa Teresa, mas estava interditado. Havia um desvio lateral. Essa pista me levou para algo como se fosse uma Belo Horizonte subterrânea. A cidade atual está em cima de ruínas da antiga. Parecia um estacionamento de shopping, mas com colunas parecendo pirâmides. Não achei a saída mas estava deslumbrado. Depois de alguns minutos dirigindo, vejo uma pessoa sentada num sofá, em frente uma TV. É Claudão Pilha, um dos donos da Obra (e meu amigo e chefe, consequentemente). Fiquei circulando, propositalmente, tentando ver o que ele assistia, mas não consegui. Parei o carro e aceitei que não tinha saída dali.

quinta-feira, dezembro 20, 2018

Sonho lúcido 01

Acordo de madrugada. Me levanto e vou até a porta do quarto. Olho pra trás e meu colchão, que fica no chão, havia sumido. Penso que, assim como tudo que some bem na frente dos nossos olhos, mas ainda está lá, o colchão também estava e só eu não estava vendo. Com certeza não estou sonhando, pensei. Acendi e apaguei a luz de propósito, para me certificar de que tinha controle de tudo.

Caminho até a sala. A sala estava enorme dividida em dois apenas por um aparador central. Muitas plantas, mobília. Só a iluminação da noite entra pelas enormes janelas. Não me lembrava de morar num local tão grande. Pela janela da sala, não mais a rua, mas vejo um pátio central. Era um condomínio enorme. Havia uma fonte e muito paisagismo

Volto ao quarto. Lá está o colchão. Durmo.